9 discos para ouvir hoje: Kelela, Jack White, The Rolling Stones, Sad13 e mais

Kelela / Divulgação

Confira alguns dos principais lançamentos da semana para atualizar a sua playlist de discos favoritos. Entre eles estão os novos trabalhos de: Kelela, Jack White, The Rolling Stones, Sad13, Baby Rose, Panda Bear & Sonic Boom, Suki Waterhouse, Bruno Berle e Pamela..

Kelelanew avatar
(Warp)

A cantora e compositora Kelela retorna com o álbum new avatar, sucessor de Raven e do registro ao vivo In The Blue Light, projeto que resgata influências de seus primeiros anos nas cenas punk e indie, quando a liberdade artística, a experimentação e a ausência de compromisso com a perfeição ajudaram a construir sua identidade sonora. Nesta nova fase, a artista revisita esse espírito de maneira mais madura, explorando emoções como amor, entrega, conflito e fúria.

“Idea 1” combina os vocais expressivos de Kelela com a produção de Oscar Scheller, unindo guitarras inspiradas no shoegaze a paisagens de dream pop para retratar uma relação atravessada por orgulho, idealizações, autossabotagem e desgaste afetivo. “point blank” mistura elementos de drum ‘n’ bass e UK garage em uma composição íntima que narra a superação de um vínculo abusivo, convertendo dor e frustrações em determinação para recuperar a independência e recomeçar. “goin down” mergulha em referências do rock alternativo envoltas por uma atmosfera nebulosa, enquanto “outta time”, colaboração com A. K. Paul, apresenta uma produção densa e refinada inspirada em artistas como Prince, Janet Jackson, D’Angelo e Nirvana, refletindo a dificuldade de aceitar o afastamento e o encerramento inevitável de uma ligação emocional.

Em “against me”, guitarras e baterias de dinâmica fluida conduzem uma reflexão sobre o término de uma relação, narrativa que se prolonga em “crystalize” através de arranjos delicados e camadas eletrônicas sutis. “retaliation lullaby” revela uma abordagem mais contemplativa, com a cantora buscando preservar a lucidez diante das adversidades sobre uma base marcada por guitarra dedilhada de forma suave. Já “linknb” combina indie rock, dream pop, jersey club e bounce para explorar a reconstrução da autoestima após períodos turbulentos e a decisão de seguir em frente sem abandonar a própria identidade.

“don’t piss me off” aposta em uma fusão de house minimalista e tons sombrios para representar uma conexão intensa, repleta de desejo e tensão, enquanto “new life forms”, dueto com Fousheé, é um R&B atmosférico e escapista. Em “the bridge”, com participação de PinkPantheress, Kelela explora uma sonoridade envolvente ao unir influências do UK garage a detalhes delicados do 2-step. Encerrando o disco, “if we meet again” reduz os elementos ao essencial, sustentada por dedilhados de guitarra e discretas linhas de teclado, enquanto aborda o desgaste causado pela falta de esforço e reciprocidade em uma relação, levando à aceitação da distância mesmo diante da possibilidade de um reencontro.

Em new avatar, Kelela transforma rupturas, desejos, inseguranças e momentos de fragilidade em uma trajetória de redescoberta pessoal, cura emocional e fortalecimento da própria identidade artística.

Jack WhiteFrozen Charlotte
(Third Man Records)

Jack White retorna com Frozen Charlotte, seu sétimo álbum de estúdio, lançado após uma turnê marcada por apresentações aclamadas. Em vez de fazer uma pausa para celebrar o sucesso de No Name, o músico voltou diretamente ao estúdio para criar um sucessor que preserva a intensidade do trabalho anterior, mas amplia sua carga emocional e agressiva. Conduzido por riffs pesados e faixas curtas, o disco explora crises existenciais, relacionamentos conturbados e a perda de privacidade, equilibrando letras que transitam entre introspecção, ironia e fúria com solos de guitarra inspirados.

“G.O.D. And The Broken Ribs” combina garage rock, guitarras distorcidas e mudanças de andamento para refletir sobre recomeços e a condição humana, enquanto “Derecho Demonico” incorpora um groove influenciado pelo funk para criticar a falta de perseverança e exaltar a independência. Já “There’s Nobody There” alterna riffs imprevisíveis, guitarras e órgão para criar uma atmosfera de paranoia e isolamento. Em “Dollar Bill”, White recorre ao blues rock para discutir a influência do dinheiro nos relacionamentos e defender a autonomia diante de manipulações, enquanto “Nobody Knows” expõe suas próprias dúvidas ao citar Isaac Newton, Albert Einstein e Pitágoras.

Em “All Alone Again”, o artista transforma uma metáfora inusitada em um incentivo para enfrentar adversidades. “She’s In A Frenzy”, por sua vez, reforça a energia crua do garage rock com guitarras que remetem a “Blue Orchid”, sucesso do The White Stripes. Por fim, “Neighbors Blues” encerra o álbum com um extenso solo que evidencia a maestria do músico, ao mesmo tempo que aborda a vigilância constante, os julgamentos alheios, a perda de privacidade e o isolamento. Com Frozen Charlotte, White reafirma sua força criativa ao transformar inquietações pessoais e sociais em um trabalho visceral, imprevisível e impulsionado pela potência de suas guitarras.

The Rolling StonesForeign Tongues
(Polydor/Universal Music)

Os Rolling Stones retornam com o álbum Foreign Tongues, sucessor de Hackney Diamonds, reafirmando a capacidade da banda de transitar entre diferentes estilos sem perder sua identidade. Com participações de Steve Winwood, Paul McCartney, Robert Smith, Chad Smith, além de uma das últimas gravações de Charlie Watts, o grupo explora rock, baladas, country e até ritmos dançantes em uma sonoridade renovada, sem abrir mão de sua essência clássica.

A faixa “Rough And Twisted” surgiu inicialmente em uma edição limitada em vinil de 12 polegadas, lançada sob o pseudônimo The Cockroaches, e rapidamente se tornou um item disputado por colecionadores. Mais tarde, foi incluída como lado B do single “In The Stars”, destacando a energia característica dos Rolling Stones por meio de guitarras intensas, da gaita de Mick Jagger e de um riff marcante de Keith Richards.

“Jealous Lover” mergulha em influências de R&B e soul, sustentadas por um groove elegante e pelos vocais em falsete de Mick Jagger. A composição aborda sentimentos como ciúme, desejo e fragilidade emocional, revelando as nuances mais delicadas dos relacionamentos.

“Divine Intervention” apresenta uma sonoridade vibrante de blues rock, marcada por um refrão envolvente que explora a ideia de encarar o apocalipse com irreverência e despreocupação. Mick Jagger chega a relembrar uma consulta com uma vidente de Hollywood para descobrir o futuro, antes de concluir que, mesmo diante do caos, o melhor é viver intensamente.

Em “Covered In You”, Jagger também dispara contra líderes autoritários e faz uma referência direta a Elon Musk em “Mr. Charm”. Já “Ringing Hollow” resgata a influência country dos Stones para retratar uma relação de amor e decepção com os Estados Unidos. A letra combina ironia e comentários políticos sobre liberdade, desigualdade e o cenário atual do país, seguindo a tradição da banda de abordar questões sociais.

O repertório também inclui uma versão de “You Know I’m No Good”, de Amy Winehouse, e uma homenagem a uma das maiores influências da história dos Stones, Chuck Berry, na faixa de encerramento, “Beautiful Delilah”.

Sad131331
(Exploding In Sound Records)

Inspirada pelo livro fotográfico Protest Grim Reapers, Sadie Dupuis, líder do projeto solo Sad13 e integrante do Speedy Ortiz, apresenta 1331, uma mixtape de 16 minutos composta por 13 faixas curtas que exploram temas como mortalidade, dualidade e o desgaste causado pelo cenário político e pela vida digital contemporânea. O trabalho surgiu durante um período de instabilidade emocional, quando a artista passou a escrever uma música de aproximadamente um minuto por dia como forma de enfrentar questões pessoais.

Entre os destaques estão “I Am Now Completely Invisible”, que mistura arranjos de câmara inspirados em JRPGs com guitarras intensas, os elementos industriais de “Watermelon Manicure”, o groove influenciado por Björk em “Art Institute” e “Locust Releaser”, que aborda a atuação de movimentos por moradia e pelos direitos das pessoas trans sobre uma base de R&B alternativo. Nas faixas mais introspectivas, Dupuis volta a crítica para si mesma, exagerando seus próprios defeitos em “Six Ways” e refletindo sobre as divisões internas da esquerda em “Mean, Vindictive, Arrogant”. A mixtape ainda expande sua identidade sonora ao reunir sintetizadores, batidas eletrônicas, gravações de campo, linhas de baixo marcantes e diferentes abordagens vocais, resultando em uma obra experimental, concisa e equilibrada entre intensidade, humor e reflexão.

Baby RoseYEARNALISM

A cantora e compositora Baby Rose lança YEARNALISM, projeto inspirado pela estética analógica e pela obra de nomes como Etta James, Nina Simone e Janis Joplin. O disco expande seu universo artístico ao combinar soul, gospel, jazz, folk e rock em uma produção intimista e contemporânea, conduzida por sua marcante e expressiva voz grave.

Em “When I’m Gone” e “Better”, Baby Rose adota uma postura de ruptura e autonomia, enquanto “The Reason” e “Dressed In Metal” retratam a dificuldade de abandonar emoções que insistem em permanecer. As colaborações com Elmiene na balada soul “Is This Love” e Leon Thomas em “Friends Again”, após as vitórias do músico no Grammy pelo álbum MUTT, aprofundam as reflexões sobre afeto, amizade e inseguranças sem oferecer respostas fáceis.

“Sunday” oferece um momento de conforto inspirado pela família e pela fé, enquanto “All My Love” transforma essa esperança em carinho pelas pessoas próximas. Já “Believe Me”, “Let Me Go” e “But, Nvm” atravessam a dor da despedida, o desapego e a aceitação, até culminar em “Jasmine’s Sonnet”, composição em que Rose confronta as próprias feridas e encerra o álbum reconhecendo que o verdadeiro desafio não está em deixar de desejar, mas em aprender a conviver com esse sentimento.

Panda Bear & Sonic BoomA ? of WHEN

Noah Lennox (a.k.a. Panda Bear) e Peter Kember (a.k.a. Sonic Boom) voltam a unir forças em A ? of WHEN, segundo álbum da parceria, preservando o espírito inventivo apresentado em Reset (2022), mas ampliando sua identidade sonora. O trabalho é construído a partir de camadas de harpa, executadas por Mary Lattimore, sequências de steel drum, pedal steel e até elementos inspirados em uma banda mariachi, incorporando timbres inéditos na trajetória da dupla para marcar um distanciamento estético em relação ao disco anterior.

Ao longo de dez faixas, os músicos também assumem uma postura mais direta diante do mundo contemporâneo, abordando temas como o desgaste provocado pela vida online, a depressão generalizada, as manipulações políticas e a necessidade de preservar o meio ambiente. Ao mesmo tempo, as canções ressaltam a importância de valorizar a sorte, agir com empatia e reconhecer as incertezas do presente. Em vez de apenas criticar a realidade ou prever cenários pessimistas, os músicos buscam criar uma experiência capaz de aproximar as pessoas, incentivando conexões genuínas e momentos compartilhados por meio da música. O álbum foi lançado em formatos físicos e para download, sem pretensão de chegar às plataformas de streaming (mas, chega aqui).

Suki WaterhouseLoveland
(Island Records)

Em Loveland, a multiartista Suki Waterhouse retrata o amadurecimento entre um período marcado por paixões, fantasias, impulsos e a busca atual por vínculos mais sólidos, íntimos e sinceros. Essa transformação, intensificada pela maternidade, é acompanhada por uma sonoridade que combinam rock dos anos 1960 e 1970, dream pop e nuances de R&B. “Back in Love” expande essa proposta ao unir psicodelia e dramaticidade setentista para representar o reencontro da cantora consigo mesma. Já “Any Man” transforma sua autoconfiança em humor ao brincar com o próprio poder de sedução, enquanto a balada retrô “Happy With It” questiona se a relação vivida corresponde, de fato, à felicidade.

“Notting Hill” revisita a juventude londrina por uma perspectiva melancólica e nostálgica, ao passo que “Seasons” aposta em uma instrumentação delicada para refletir sobre solidão, passagem do tempo e transformações internas. “When I Get Drunk (I Want You Boy)” apresenta um groove envolvente ao abordar desejo, atração e proximidade emocional. Em “Tiny Raisin”, guitarras de alt-rock e melodias pop conduzem a narrativa de um romance turbulento, marcado por conflitos e reconciliações. “Puppy Dog Eyes” assume a forma de uma cantiga infantil distorcida para expor uma dinâmica afetiva desigual, enquanto “Jukebox” reúne riffs cativantes de guitarra e piano, harmonias suaves e referências ao doo wop. No encerramento, “Weirdo” funciona como uma declaração de amor ao marido, o ator Robert Pattinson, celebrando os pequenos hábitos compartilhados e reconhecendo que a realização profissional também pode exigir distância e renúncias.

Bruno BerleSem Fronteiras
(Far Out Recordings)

O cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista alagoano Bruno Berle apresenta Sem Fronteiras, seu terceiro trabalho de estúdio. Gravado entre Londres, São Paulo, Minas Gerais, Alemanha e Maceió, o disco foi coproduzido ao lado do parceiro de longa data Batata Boy e representa a criação mais ampla de sua carreira até aqui. As canções mantêm elementos centrais de sua linguagem musical ao explorar horizontes abertos, luzes matinais, cores intensas e laços afetivos por meio de harmonias tranquilas, arranjos delicados e uma ambientação renovadora.

“Você Já Sabe Que Eu Te Amo”, faixa que abre o disco, surge com pulsações suaves e um acorde de violão de nylon, antes de uma alteração tonal conduzir ao toque aveludado do Fender Rhodes e ao expressivo diálogo entre Berle e Nyron Higor. Em seguida, “Não Posso Viver Sem Você” assume uma abordagem mais descontraída para falar sobre apego emocional, combinando piano, percussão e sintetizadores atmosféricos. Já a singela “A Noite de Estrelas” chama atenção pelo baixo pulsante, pela bateria cadenciada e pelas texturas eletrônicas acolhedoras.

Sustentada por uma marcação firme e por uma instrumentação ligada à MPB, a contemplativa “Outra Noite” transforma a sucessão dos dias em uma representação melancólica da saudade. Em “Amor Inteiro”, referências à bossa nova ganham contornos vibrantes, envolventes e dançantes, impulsionados pela percussão vigorosa de Pedro Lacerda e pelos luminosos vocais de apoio de Nina Maia, conduzindo a faixa a um instante de catarse sentimental. “Ideias Mágicas” encontra na criatividade e na sensibilidade uma forma de abrigo diante do cotidiano, enquanto “Vim Dizer” aposta em uma interpretação acústica serena para revelar a fragilidade envolvida em converter emoções guardadas em uma declaração amorosa. A instrumental “Tô Assim” conserva a delicadeza do conjunto com violões, sintetizadores discretos e um clima introspectivo, enquanto “Manhã” começa de maneira intimista, guiada por cordas e bateria sutil, antes de se expandir até alcançar uma passagem imersiva e fascinante para celebrar o amanhecer como imagem do término da solidão e do nascimento de uma nova relação.

Com Sem Fronteiras, Bruno Berle amplia sua linguagem musical sem perder a delicadeza, transformando afeto, contemplação e liberdade em uma obra coesa e luminosa.

Pamela.IT’S NICE TO SEE YOU HERE
(Universal Music Australia)

O duo Pamela., formado pelos australianos Sarah Ellen e Josh Kempen, apresenta o EP de estreia IT’S NICE TO SEE YOU HERE, no qual explora as contradições dos relacionamentos contemporâneos com leveza e naturalidade. A sonoridade da dupla passeia por referências como The Marías, The Strokes e The xx, combinando alt-pop contemporâneo, harmonias vocais marcantes, guitarras cintilantes e composições que equilibram delicadeza, irreverência e um toque de provocação. Ao longo das faixas, o trabalho aborda romance, desilusões amorosas, desejo e incertezas de maneira sutil e confiante. Em vez de tentar explicar cada emoção, o disco acompanha o fluxo dos sentimentos, unindo romantismo, descontração e um olhar bem-humorado sobre si mesmo.

A abertura, “Pandemonium”, mistura a energia crua do garage rock a um caos contagiante para retratar o impulso de viver o instante sem pensar nas consequências. Já “Better Than Before” transforma o recomeço após o fim de um relacionamento em uma faixa inspirada pelo indie rock, enquanto “Skin Contact” explora o desejo por conexão física e emocional em uma atmosfera espontânea e envolvente. Com uma estreia coesa e cheia de personalidade, Pamela. transforma as instabilidades afetivas em canções vibrantes, íntimas e irresistivelmente despretensiosas.