9 discos para ouvir hoje: Oh Land, Oneohtrix Point Never, Animal Collective, Molly Burch e mais

Oh Land / Dennis Morton

Confira alguns dos principais lançamentos da semana para atualizar a sua playlist de discos favoritos. Entre eles estão os novos trabalhos de: Oh Land, Oneohtrix Point Never, Blonde Redhead, Animal Collective, Jorja Smith, Molly Burch, Wilco, Del Water Gap e Slow Pulp.

Oh LandLoop Soup
(Tusk or Tooth Records)

A cantora e compositora dinamarquesa Oh Land lança o seu sexto álbum de estúdio, intitulado Loop Soup. O registro marca um retorno ao pop experimental que desafia gêneros, incorporando elementos como batidas eletrônicas, guitarras sedutoras, sintetizadores modulares Eurorack e vintage, como o Jupiter-8. Nanna Øland Fabricius, a mente por trás do projeto, criou um universo sonoro único, mesclando estruturas musicais convencionais, vocais etéreos e paisagens sonoras cinematográficas das décadas de 1960 e 1970. Sua música é influenciada por figuras como Alejandro Jodorowsky e Barbarella, assim como pelo grupo de disco alemão Boney M, combinando lirismo poético com uma exploração da identidade humana em um contexto alienígena. Esses temas são mais evidentes nas faixas destacadas. Seja nas consequências de levar uma vida conectada no cativante eletropop de “Bleeed”, na ode ao amor profundo na disco “My Freak”, no desejo de viver intensamente em “Bucket List” ou ainda em “I’d Rather Sing”, um synthpop eufórico com batidas cintilantes e harmonias cativantes da artista, que lida com as expectativas sociais contemporâneas em “Artists Don’t Smile”. A produção de Loop Soup ficou a cargo de Adi Zukanovic e Vasco (Terror Jr, ), com participações especiais da cantora mexicana Ximena Sarinana em “Pretty Is Dead” e do BROODS em “Better Days”.

Oneohtrix Point NeverAgain
(Warp Records)

O produtor de música eletrônica Daniel Lopatin (a.k.a. Oneohtrix Point Never) lança o álbum Again, que sucede Magic Oneohtrix Point Never. O trabalho sombrio de Lopatin está na vanguarda da música eletrônica e experimental com samples vertiginosos e uma variedade de estilos musicais, incluindo new age, jazz, post-rock e R&B, com letras influenciadas por temas de ficção científica. Além disso, conta com vocais processados de Xiu Xiu em “Krumville” e contribuições de Jim O’Rourke no piano na faixa-título e Lee Ranaldo na guitarra elétrica em “Memories of Music”. Again é descrito como uma “autobiografia especulativa” que teve origem como uma interpretação da identidade musical de Lopatin durante a juventude. Essa interpretação é explorada a partir da perspectiva da meia-idade e incorpora elementos de seus trabalhos anteriores, bem como influências de sua produção para artistas com The Weeknd, ANOHNI e FKA twigs. A sonoridade varia de momentos cinematográficos com cordas conduzidas e arranjadas por Robert Ames em faixas como “Locrian Midwest” e “A Barely Lit Path” a experimentações sonoras estranhas e acolhedoras.

Blonde RedheadSit Down for Dinner
(section 1)

A banda Blonde Redhead, composta por Kazu Makino e os irmãos gêmeos Simone e Amedeo Pace, retorna com Sit Down for Dinner, seu primeiro álbum em nove anos e sua estreia na gravadora section1. O álbum expressa uma união persistente e demonstra a lógica interna única que o Blonde Redhead aperfeiçoou ao longo de três décadas de existência. As músicas apresentam melodias relaxantes e harmonias melancólicas, misturando elementos de folk (“Not for Me”), dream pop (“Kiss Her Kiss Her”) e, inclusive, experimentos de música brasileira em (“Snowman”). Os vocais sonhadores de Makino exploram letras sobre os desafios inevitáveis da vida adulta, incluindo dificuldades na comunicação em relacionamentos duradouros (“Melody Experiment”), jornadas pessoais de autoconhecimento (“If”), ansiedades da vida moderna (“Before”) e a perseverança para alcançar os sonhos. O álbum foi escrito ao longo de cinco anos e é influenciado pela experiência da banda de estar separada de seus entes queridos durante a pandemia global de COVID-19 (“Sit Down For Dinner (Pt. 2)”), por perdas pessoais, pelo livro ‘O Ano do Pensamento Mágico’ de Joan Didion (“Sit Down For Dinner (Pt. 1)”) e pela importância de aproveitar o momento presente. Sit Down for Dinner emerge como possivelmente o álbum mais forte em um catálogo de 30 anos, que já é tão ilustre quanto variado, capturando uma ampla gama de emoções e demonstrando otimismo e maturidade do trio.

Animal CollectiveIsn’t It Now?
(Domino)

Destacando-se dentro do amplo repertório do Animal Collective, Isn’t It Now? marca o primeiro álbum da banda desde Centipede Hz (2012) a ser gravado com todos os quatro membros presentes na mesma sala, simultaneamente. O registro, escrito no mesmo período de tempo que o álbum anterior, Time Skiffs, traz momentos de distrações e sinceridade, sensibilidade pop e texturas intrincadas, numa síntese do passado e presente, mostrando a sabedoria e experiência enquanto mantém um espírito jovem e enérgico. Para conectar todas as ideias, a banda conta com a coprodução de Russell Elevado, vencedor do Grammy, mais conhecido por trabalhar com artistas como D’Angelo, The Roots e Alicia Keys, expandindo o som particular do grupo com elementos de rock progressivo (na etérea “Magicians from Baltimore”), dream pop (na épica de 22 minutos “Defeat”), pop psicodélico (“Soul Capturer”), o groove tropical (“Gem & I”) e folk experimental (“King’s Walk”). Com nove faixas no repertório, o álbum se torna o mais longo da discografia do Animal Collective, provando a habilidade e controle de sua sonoridade incomparável.

Jorja Smithfalling or flying
(Famm)

A cantora e compositora britânica Jorja Smith lança o aguardado álbum falling or flying, o sucessor de sua estreia Lost and Found e do projeto Be Right Back. Inspirado por sua cidade natal, Walsall, este trabalho apresenta menos baladas lentas, permitindo que Jorja explore e desenvolva seu som em uma variedade elementos extraídos de gêneros musicais, como jazz (“Try Me”), drum ‘n’ bass (“Little Things”), dancehall (“Feelings”), trip hop (“Backwards”) e indie punk (“GO GO GO”). No entanto, sua impressionante e precisa habilidade vocal continua a brilhar sem ser ofuscada por essas diferentes direções e estilos. falling or flying é um reflexo da mente agitada de Jorja, mantendo um ritmo acelerado que combina com sua personalidade. Cada música é um momento único e especial neste material coeso e empolgante que aborda temas como desilusões (falling or flying), amor (“What if my heart beats faster?”), abusos (“Broken is the man”), autodescoberta (“Try Me”), relacionamentos com amigos antigos e novos, além do relacionamento consigo mesma (“Greatest Gift”). O resultado é uma evolução em novas direções, mantendo a mesma força emocional que conquistou muitos fãs em sua estreia.

Molly BurchDaydreamer
(Captured Tracks)

Em seu quarto álbum, Molly Burch explora as emoções e inseguranças de seus treze anos, um período seminal em sua vida que influenciou profundamente sua jornada atual. Daydreamer é uma conversa entre a jovem Molly e a mulher que ela se tornou, incorporando influências dos anos 80 e letras irônicas que abordam tanto as alegrias quanto as tristezas da vida. Com a produção de Jack Tatum (do Wild Nothing) e uma abordagem um pouco mais pop, com instrumentações luxuosas e saxofones sedutores (“Champion”), o registro mergulha em sons e influências do passado, enquanto demonstra o constante desenvolvimento de Burch como artista. As músicas abordam temas como amor não correspondido, lutas públicas com a síndrome pré-menstrual (“Physical”), frustrações (“Baby Watch My Tears Dry”) e a tragédia do suicídio de sua melhor amiga de infância (“Tattoo”). Daydreamer é uma homenagem não apenas à jovem Molly, mas a todos os ouvintes que ainda guardam seu eu adolescente interior. A infância é marcada pelo escapismo através de devaneios, e agora, como adulta, a artista se vê sonhando com o futuro, a criação e a pessoa que deseja ser. Molly Burch e Jennifer Garner têm em comum o fato de que aos 13 anos tiveram momentos importantes em suas vidas. No entanto, enquanto Garner explorou essa fase através do filme ‘De Repente 30’, Burch resgatou suas memórias e transformou em canções encantadoras e honestas.

WilcoCousin
(dBpm Records)

O décimo terceiro álbum de estúdio do Wilco, Cousin, foi gravado ao longo de dois anos no lendário estúdio da banda em Chicago, The Loft. Após um breve desvio de suas raízes influenciadas pelo country no álbum duplo Cruel Country do ano passado, Cousin traz a banda redescobrindo sua veia experimental. Um elemento único e novo no processo de gravação foi a participação da cantora e compositora galesa Cate Le Bon, que assumiu o comando como a primeira produtora externa do Wilco desde Sky Blue Sky de 2007. Isso incentivou o grupo a sair de sua zona de conforto e a utilizar algumas técnicas sonoras diferentes durante as sessões. Sintetizadores, drum machines e o multi-instrumentista Euan Hinshelwood, que toca saxofone no álbum, complementam a combinação de estilos, que inclui post-punk, prog-rock e folk. A voz singular e a composição de Jeff Tweedy estão em evidência, com letras que abordam uma variedade de temas, desde questões familiares na faixa-título, relações interpessoais em “Soldier Child”, a sensação de estar preso em um lugar sem crescimento em “Pittsburgh” e corações partidos em “Evicted”. Aqui, a banda se adapta a uma proposta musical inovadora, mantendo-se aberta para novas criações com arranjos imprevisíveis para suas letras cativantes e otimistas.

Del Water GapI Miss You Already + I Haven’t Left Yet
(Mom+Pop)

Del Water Gap é o projeto de indie pop do cantor, compositor e produtor Samuel Holden Jaffe, inspirado em “encontros românticos e salas mal iluminadas”. Seu segundo disco de estúdio, I Miss You Already + I Haven’t Left Yet, traz lirismo confessional (“Coping on Unemployment”) e uma sonoridade envolvente que combina melodias emocionantes com elementos eletrônicos, incorporando uma abordagem pop moderna e explorando temas existenciais. O registro ousadamente aborda temas como sexualidade e o uso de substâncias, evocando o glamour dos rockstars dos anos 60, uma temática também explorada por escritores como Joan Didion e Eve Babitz. Além disso, o álbum celebra a beleza das coisas comuns da vida (na sonhadora “Quilt of Stream” com Arlo Parks), homenageia a decadência dos primeiros dias de um relacionamento (“All We Ever Do Is Talk”), reflete sobre as dores do amor não correspondido (“NFU”) e busca uma reconexão com os sentimentos (“Glitter & Honey”). I Miss You Already + I Haven’t Left Yet retrata um homem determinado a enfrentar o tédio e a monotonia da vida cotidiana com vivacidade e coragem.

Slow PulpYard
(Anti)

O segundo álbum de estúdio do quarteto Slow Pulp continua a desenvolver o som criado em sua estreia. Embora essencialmente um disco de indie rock lo-fi, Yard explora elementos de indie folk, shoegaze, pop punk (“MUD”) e americana (“Broadview”), dando maior destaque à voz de Emily Massey, que lembra Phoebe Bridgers com momentos de Liz Phair, e a arranjos mais complexos. Com letras irônicas e muitas vezes sombrias, o álbum captura momentos de introspecção e melancolia, abordando temas como solidão, inseguranças (“Doubt”, “Cramps”), autoaceitação (“Fishes”) e amores de verão na adolescência (“Slugs”). Yard é um exemplo que demonstra a excepcional habilidade do Slow Pulp em criar música indie intrincada e profundamente emocional.